- VIII -


Como pode o céu ser o inferno de alguém.
Como pode a luz ser também escuridão.
Como pode você ser seu próprio barco afundando.
A falha ausência da presença.
O lixo dos pensamentos.
O esquecer-se da atenção.
Mendigo carinho ou sinto a falta?
Busco apenas aquietar meu coração.
Serei eu a falha da ausência da presença?
Ou apenas mais uma falta de gratidão.


O fruto do conhecimento


O cristianismo prega que Eva comeu o fruto proibido, entregue a ela por uma serpente, e depois levou Adão a comer também. Essa visão contribuiu para que a mulher fosse vista como inferior por muito tempo, e isso tem mudado a passos lentos.

Em tempos remotos, as mulheres eram tidas como sagradas, tinham poder e eram respeitadas. Como fontes geradoras de vida e sacerdotisas eram muito próximas à Deusa, reverenciada como a Grande Mãe dos povos. Coincidência ou não, a serpente era um dos símbolos da Deusa.

Para sufocar de vez a sabedoria e o poder feminino, as igrejas difundiram a ideia de que, por “culpa” de Eva, todos padecemos fora do Paraíso. De maneira figurada, o verdadeiro conhecimento foi banido, para evitar qualquer tipo de ameaça à nova religião e ao patriarcado.

Porém, esse poder foi apenas oprimido e viveu por séculos como uma chama nos recônditos de todas as almas femininas. Curandeiras, xamãs, benzedeiras, parteiras, terapeutas, mães, avós, filhas... Como bruxas, fomos perseguidas, torturadas e mortas, sob a bandeira de um Deus, que, tenho certeza, jamais concordaria com a atrocidade de uma inquisição.

Mesmo assim, o poder do sagrado feminino se manteve vivo e ele tem chamado, cada vez mais, por todas as mulheres que, em grupo ou solitárias, o tem resgatado. Não como uma afronta a qualquer religião, mas como um grito de liberdade e de igualdade.

Comemos o fruto sim, o fruto do conhecimento, que não deve ser negado a ninguém, e hoje estamos aqui para que se faça justiça às nossas antepassadas, que viveram com medo, reprimidas e amarguradas, aceitando destinos que lhes eram impostos, unicamente por serem mulheres.

Atente aos sinais! Aqueles poderes antigos estão dentro de você, não sinta medo, eles não são proibidos, são a nossa força mais verdadeira, nosso paraíso particular. É esse poder que irá lavar a nossa alma de todas as injustiças, sinta-o dentro de você e permita que se expanda, que extravase, que preencha o mundo e o teu próprio Ser.

Viscosidade


Parece que algo quebrou dentro de mim,
Esparramando um líquido negro que está entalado na minha garganta.
Ele escorre para o peito, deixando uma mancha de angústia
E eu não consigo fazer com que minha mente se afaste dessa viscosidade.
Por mais que eu repita para mim mesma, milhões de vezes, que nada de tão grave está acontecendo,
Ainda assim estou à beira do pânico.
Qualquer mínima alteração é um enorme gatilho:
O coração dispara, vem o suor, o medo, a boca seca e a vontade de chorar.
Eu, definitivamente, já não sei mais como lidar com isso,
Tento disfarçar para os outros e para mim mesma.
Mas lá no fundo há um vazio, um grande buraco. E ele pesa.
Tem épocas que ele está lá, quieto, enclausurado,
Dessa forma é mais fácil de levar.
O problema é quando esse buraco, que mesmo vazio, pesa,
Resolve deixar que seu líquido espalhe-se dentro de mim.
Nessas horas, eu já não sei mais o que fazer...

Editora Wish resgata tesouros em Contos de Fadas nórdicos

🧚‍♂️


Pessoal, esta editora é maravilhosa (adquiri com eles a trilogia Contos de Fadas em suas versões originais 💜) e tem livros únicos. Gostaria de compartilhar com vocês o mais novo projeto. Para saber como participar e garantir seu livro e/ou recompensas basta acessar www.catarse.me/contosnordicos, está tudo muito bem explicado pela Marina, a editora.
"Coleção Áurea irá reunir os melhores contos de fadas em livros temáticos
Após o sucesso da trilogia “Contos de Fadas em suas versões originais”, que já está em sua sexta edição, a Editora Wish anunciou nesta segunda-feira o novo projeto: “Coleção Áurea – Especial Contos de Fadas”, que tem como proposta reunir os melhores contos de fadas de cada cultura em livros ilustrados, começando pela cultura Nórdica.
Entre os contos selecionados, estão os já conhecidos “A Leste do Sol e Oeste da Lua” e “A noiva da Floresta”, mas a obra também traz títulos raros como o “A flor da Islândia”, “O monte élfico” e “A última morada dos gigantes”. O volume será composto por um total de 22 contos dos mais de 100 analisados pela Editora Wish; de Hans Andersen a Asbjørnsen, de Parker Fillmore a Helena Nyblom.
A campanha de financiamento coletivo de “Os melhores contos de fadas Nórdicos” tem início no dia 9 de agosto, e deve durar cerca de dois meses.
O link está aberto para visualização das recompensas através do www.catarse.me/contosnordicos, e começa a receber apoios na quinta-feira."

- VII -


Honre o que habita em seu interior. Não subestime a voz da alma.

Proteja-se quando você sentir esta necessidade. Sua intuição é um alerta.

Tenha em mente que seus erros e acertos fazem parte do processo evolutivo. Não seja tão rígido com você mesmo.

As energias ao seu redor irão te influenciar. Procure manter-se o mais preparado possível.

Você faz parte do Universo e o Universo está em você. Sintonize-se com ele.

Permita-se silenciar todas as vozes que o rodeiam. Medite e conecte-se com o Todo.

Se reconheça como parte importante na obra da Grande Mãe e do Deus Pai.

Seja grato pela oportunidade e por se permitir despertar.

- VI -



Em que primavera encontraste o Vale dos Deuses?
Em que primavera sorriste pela primeira vez?
Em que campos floridos pudeste andar confiante?
Sê então um retrato de cor,
A simples beleza a encantar.
O Vale Dourado que nunca esqueceste,
É dele que hoje te puseste a lembrar?
Em que canto escondido querem que cante?
Nos campos floridos te puseste a cantar?
Brilha cor, aquarela da vida.
Julga descente poder esperar?
Atenta para as flores, elas irão guiar...
O caminho do Vale retorna a encontrar.

"A"



Consciência, sentimento, um desejo reprimido, uma alma que veio a este mundo de forma diferente, para mudar a vida das pessoas com as quais têm contato, ou apenas nós mesmos, uma amostra de como somos volúveis?

O personagem principal do livro Todo dia (que se autodenomina “A”), escrito por David Levithan, acorda todos os dias em um corpo diferente, com a mesma idade que a sua, tendo acesso às memórias da outra pessoa, mas mantendo a própria consciência, podendo tomar decisões.

Habitando os mais variados corpos de adolescentes com 16 anos, “A” consegue nos mostrar como é viver um dia da vida de outra pessoa. O exemplo mais literal do “se colocar no lugar do outro”. Não vou resenhar a obra e nem tentar compreender a mensagem que o autor quis passar aos leitores, não é uma interpretação de texto.

Pensei em consciência, sentimento.

Mais ou menos na metade da história cogitei que o personagem expressasse os desejos reprimidos destes jovens. No dia da “invasão” eles fugiam de suas rotinas, faziam o que, no recôndito de suas mentes, sentiam vontade de fazer. Pode ser que seja isso mesmo, há tantas vontades sendo reprimidas, tantos “eus” escondidos por medo do julgamento que, se fosse possível, muitas pessoas gostariam de ser, pelo menos por um dia, elas mesmas com outra forma de pensar, com uma liberdade diferente. Ou um corpo capaz de ir além das barreiras que o dia-a-dia vai impondo.

Considero a possibilidade de “A” existir, como um Ser realizador de desejos, um Anjo investido de poder de mudança, um empurrãozinho do Destino ou um Bagunçador (não sei se essa palavra existe, mas gostei dela) de cabeças. Você e eu podemos ter tido um dia que parece em branco ou um borrão que lembramos apenas como um déjà vu.

Ou então, o personagem reflete como o ser humano é mutável em muitas das suas ideias e ações, de como algo, que até então era inviolável, pode ser descartado ao despertar pela manhã. Esse fator humano amedronta, mas também abre um mundo de possibilidades.

Leiam o livro, recomendo. É sempre bom analisar as perspectivas. É ainda mais importante se colocar no lugar do outro.

“A” tem muito para ensinar, é um personagem adorável. Deve ser porque ele reconhece as diferenças entre as pessoas, e sabe respeitá-las.